"Mateus é um guitarrista muito promissor que graciosamente toca sem ter que soar como outras pessoas."
All about jazz - USA

Por que determinadas notas não funcionam bem sobre determinados acordes e certos acordes não funcionam bem sobre determinadas sequencias harmônicas? Será que é coisa de nossa cabeça, ou melhor, do nosso ouvido, ou existe uma explicação plausível para isso?
Não sou a pessoa mais adequada para dar um parecer científico ou teorico sobre o assunto, mas vou dar o pitaco pelo ponto de vista de um músico que adora as notas menos favorecidas.
Ouve um tempo em nossa sociedade onde o trítono (intervalo de quarta aumentada) era tido como uma sonoridade demoníaca, sendo, inclusive, banido do âmbito musical, portanto, podemos dizer que determinadas escolhas estão sujeitas a modismos e épocas, mesmo que teoricamente não seja uma escolha correta.
A música erudita no século XIX e XX e principalmente o jazz, que era a música popular americana em meados do século passado, trouxeram uma nova estética sonora e fizeram certas notas, até então abolidas, se tornarem padrão sonoro.
O que acontece é que a música mais popular do nosso tempo é o rock, isso desde os tempos dos Beatles e foi exatamente pelos besouros britânicos que a guitarra se tornou o instrumento mais popular do mundo.
Ou seja, em se tratando de guitarra, a maioria dos músicos que escolhem esse instrumento foi influenciada pelo rock, um estilo que não houve um grande rompimento com tonalidade da escala maior e menor.
Tensões usadas no jazz e na música brasileira como, por exemplo, nona e décima terceira, que inclusive são notas disponíveis na escala diatônica, soam muitas vezes demasiadas para ouvidos não tão expostos ao estilo, o que dizer de tensões também populares no jazz como b9,#9,b13 que são chamadas de tensões alteradas?
Enfim, determinado acorde que soa maravilhosamente bem em determinado estilo pode soar horripilante em outro, mas é nessa tecla que quero insistir.
Kurt Cobain, entre muitos outros exemplos, foi um cara que rompeu com certos padrões do rock, usando intervalos de segunda menor e escolhas de tensões e acordes que confunde muitos teóricos em harmonia, mas é certo que para ele essas escolhas traziam uma “atitude” sonoro desejada, e essas escolhas moldaram um novo segmento dentro do rock o grunge.
O que quero dizer é que aceitamos certas notas em determinados acordes e certas progressões harmônicas por imposição estética e nunca nos questionamos o porquê de romper com as mesmas.
Existe sim a necessidade de conhecer as notas que, em regra, são usadas sobre os acordes, mas ao mesmo tempo deve existir a necessidade de continuar caminhando além da regra.
Não aceite tudo sem antes testar e na prática ver o resultado sonoro, pois, talvez o que para muitos soe estranho, para você pode ser a sonoridade que você sempre procurou.
Continua em breve..............
Mateus Starling
Comentários
Feed RSS para comentários deste texto