Mateus Starling

"Mateus é um guitarrista muito promissor que graciosamente toca sem ter que soar como outras pessoas."

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Quanto investir em equipamento?

Quanto investir em equipamento de Guitarra

Eu toco guitarra há 20 anos. Comecei com 12 anos e com 16 anos eu possuía 3x mais pedais do que tenho hoje em meu set.

Com 16 anos ganhei o meu primeiro cachê com música. Tocava numa banda cover de músicas dos anos 60 e 70. Tinha uma Ibanez Jem Steve Vai model, 1 Marshall e uns 8 pedais. Naquela época, rack de efeito era o ápice, então, além dos meus pedais obviamente eu ainda tinha uns racks cheio de luzinhas.

Era uma amontoeira terrível, era tanto efeito que no fim das contas o som ficava pior do que uma guitarra ligada diretamente no amplificador, mas isso foi algo que eu só fui descobrir e reconhecer com o tempo.

No começo da nossa vida de músico, ficamos super pilhados, principalmente se você toca guitarra, bateria ou teclado, queremos consumir essa infinidade de pedais e efeitos lindos, bateria de 6 tons, 15 pratos, teclado com 30 modulos, mas quer saber a verdade? Você não precisa de quase nenhum deles.

O problema é que imagem é tudo e som mesmo não é nada. Eu comecei tocando nos tempos áureos da Guitar Player e da Cover Guitarra. Eu era cabeludo e abria a revista e ficava doido com os nomes, com as "caras" dos pedais. Hoje então nem se fala, em matéria de beleza os pedais chegaram ao apogeu do Olímpio, da vontade de comprar só pelos desenhos.

Às vezes um cara me chama aqui no MSN e pergunta: "tenho 3 mil reais para investir em efeitos, o que eu devo comprar?" Daí eu falo, não compre nada, invista tudo no estudo da música, domine o seu instrumento, pois dessa maneira você vai saber exatamente o que comprar e vai perceber que você precisa de muito pouco para tirar um grande som, pois na verdade o som esta na sua mão, nas dinâmicas, no silencio e não no que esta entre você e o amplificador. Quem conhece o instrumento e sabe verdadeiramente tocar também sabe verdadeiramente do que precisa.

Eu lia entrevistas com mestres, caras tipo Jeff Beck e que diziam que a cada ano tiravam um pedal do set e eu pensava: "Esse cara esta mentindo", mas a verdade é que quanto mais amadurecemos mais queremos estar próximos do som da guitarra, aquele som cru e verdadeiro, muitas vezes todos esses efeitos mascaram o nosso som e nos deixam enlatados.

Quando estudava na Berklee ouvi uma grande historia que o baterista Antonio Sanchez (baterista do Pat Metheny) contou. Ele disse que certa vez estava no corredor da faculdade e um professor, que já o tinha visto praticando bateria, perguntou se ele não estaria disponível para cubrir o baterista faltoso num ensaio de Big band de jazz. Daí ele pensou: Poxa, eu toco pra caramba, toco as musicas do Rush mais rápido que o próprio batera do Rush, até acompanho uns discos de jazz, enfim, vou destruir.

Antonio Sanchez chegou por la e ficou 20 minutos montando a bateria, colocando tons, pratos, montando uma bateria de rock progressivo para uma gig de jazz. O professor puxou a primeira musica, um swing médio e no meio da musica pediu para ele solar, daí foi o Antonio e você imagina ne? Pedal duplo, 5 tons, prato para todo lado.

Acabou a musica o mestre foi na bateria do Antonio e foi tirando um tom, outro tom, os pratos, deixou apenas um pedal e falou: "Acho que assim tem mais haver com a gig".

Puxou outra musica, um swing super rápido e no meio da musica disse: "Solo de bateria", daí a casa caiu. Não tinham os pratos, os pedais e os tons para fazer barulho. Antonio disse que essa foi à maior lição que ele teve na Berklee. Eu morri de rir porque comigo foi à mesma coisa.

Primeiro dia de aula rolava uma audição e tava la eu, a guitarra, o cabo e o amplificador, e eu pensei, mas como assim? Foi um desastre, me senti pelado sem os meus efeitos. Eu queria um sustain, um sonzinho mais quentinho, mas não teve jeito, ali foi à realidade nua e crua.

Preciso dizer a moral da historia?

Deus abençoe a todos.

Mateus Starling

 

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